Relações <3
Fico absorto na facilidade com que as pessoas tem de se desfazerem, ou talvez, na incapacidade que têm de resgatar laços.
Um amigo escolhe mal suas palavras, e de repente, é banido para a sombra das inimizades, sem sequer o direito à defesa. Amores de meia década se transmutam em ódio em um único embate, onde um olhar torto é o prelúdio da tempestade que se anuncia.
Sim, somos humanos, feitos de atritos e cicatrizes. As emoções emergem ferozes, nossos escudos, forjados por anos de frustrações e feridas, traumas profundos dos quais muitas vezes sequer temos lembrança, se erguem altos e pesados. A paciência se faz necessária, dizem.
Mas eu? Eu aprendi a perdoar com a rapidez de um suspiro. Pode parecer insensato, e muitos me advertem que vou longe demais nessa entrega…
A verdade é que eu beijaria os pés descalços do meu pior inimigo, apenas para dissipar o ódio que nos separa.
Quanto tempo mais levaremos para compreender a lição mais simples, aquela que figuras sagradas e santos sem auréolas, santos de carne e osso, como Gandhi, tentaram nos ensinar incansavelmente?
As relações, as almas que cruzam nosso caminho, o amor ao próximo—são estas as joias mais preciosas do mundo.
E sabe por quê?
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Porque as relações e a consciência são as únicas coisas que sobrevivem à morte.
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Que décadas passem, que guerras sejam travadas e governos caiam e se levantem, o fato é que olhamo-nos quando desencarnamos, vendo tudo que poderíamos ter feito em conjunto, e concordamos que perdemos muito tempo, tempo valioso.
Sem a cegueira do orgulho e da raiva, vendo que nossas verdadeiras intenções estavam misturadas em ondas de compaixão e ignorância, nos abraçamos.
Prometemos que não cometeremos o mesmo erro ao pisar na Terra novamente. Tentamos trocar os papéis - o filho se torna marido, a esposa se torna amante, a amante vira amigo do peito. E ainda assim, caímos nas mesmas armadilhas repetidamente.